Tarsila

terça-feira, 10 de maio de 2011

Como montar um cenário para a escola

Pluft, o fantasminha - fragmento
(Maria Clara Machado)


1. (Cenário: um sótão. À direita, uma janela dando para fora, de onde se avista o céu. No meio, encostado à parede do fundo, um baú. Uma cadeira de balanço. Cabides onde se vêem, pendurados, velhas roupas e chapéus. Coisas de marinha. Cordas, redes. O retrato velado do Capitão Bonança. À esquerda, a entrada do sótão.
Ao abrir o pano, a Senhora Fantasma faz tricô, balançando-se na cadeira, que range compassadamente. Pluft, o fantasminha, brinca com um barco. Depois larga o barco e pega uma velha boneca de pano. Observa-a por algum tempo.)

2. PLUFT: - Mamãe!

3. MÃE: - O que é, Pluft?

4. PLUFT: (sempre com a boneca de pano) – Mamãe, gente existe?

5. MÃE: - Claro, Pluft, claro que gente existe.

6. PLUFT: - Mamãe, eu tenho tanto medo de gente! (Larga a boneca.)

7. MÃE: - Bobagem, Pluft.

8. PLUFT: - Ontem passou lá embaixo, perto do mar, e eu vi.

9. MÃE: - Viu o quê, Pluft?

10. PLUFT: - Vi gente, mamãe. Só pode ser. Três.

11. MÃE: - E você teve medo?

12. PLUFT: - Muito, mamãe.

13. MÃE: - Você é bobo, Pluft. Gente é que tem medo de fantasma e não fantasma que tem medo de gente.

14. PLUFT: - Mas eu tenho.

15. MÃE: - Se seu pai fosse vivo, Pluft, você apanharia uma surra com esse medo bobo. Qualquer dia desses eu vou te levar ao mundo para vê-los de perto.

16. PLUFT: - Ao mundo, mamãe?!

17. MÃE: - É, ao mundo. Lá embaixo, na cidade...

18. PLUFT: (Muito agitado, vai até a janela. Pausa.) - Não, não, não. Eu não acredito em gente, pronto...

19. MÃE: - Vai sim, e acabará com essas bobagens. São histórias demais que o tio Gerúndio conta para você.

20. PLUFT: (Pluft corre até um canto e apanha um chapéu de almirante.) - Olha, mamãe, olha o que eu descobri! O que é isto?!

21. MÃE: - Isto tio Gerúndio trouxe do mar.

22. (Pluft, fora de cena, continua a descobrir coisas, que vai jogando em cena: panos, roupas, chapéus etc.)

23. PLUFT: - Por que tio Gerúndio não trabalha mais no mar, hem, mamãe?
24. MÃE: - Porque o mar perdeu a graça para ele...

25. PLUFT: (Sempre remexendo, descobre um espartilho de mulher) – E isto, mamãe, (aparecendo) que é isso? Ele trouxe isto também do mar? (Coloca o espartilho na cabeça e passeia em volta da mãe.)

26. MÃE: - Pluft, chega de remexer tanto nas coisas...

27. PLUFT: (larga o espartilho no chão e passeia na cena à procura do que fazer) – Vamos brincar, tá bem? Finge que eu sou gente. (Veste-se de fraque e de cartola.)

28. MÃE: (sem vê-lo) Chega de desordem, meu filho. Você acaba acordando tio Gerúndio. (Ela olha para o baú.)

29. PLUFT: (pé ante pé, chega por detrás da cadeira da mãe e grita) – Uuuuh! (A mãe leva um grande susto e deixa cair as agulhas de tricô.) Eu sabia! Eu sabia que você também tinha medo de gente. Peguei! Peguei! Peguei mamãe com medo de gente... peguei mamãe com medo de gente!

30. MÃE: (procurando de gatinhas os óculos e o tricô) – Pluft, você quer apanhar? Como é que eu posso acabar o meu tricô para os fantasminhas pobres, se você não me deixa trabalhar? (A mãe volta à cadeira bufando e Pluft volta à janela pensativo.)

31. PLUFT: - Eu não iria nem a pau.

32. MÃE: - Onde , Pluft?

33. PLUFT: - Trabalhar no mar. Tenho medo de gente e de mar também. É muito grande e azul demais... (De repente Pluft se assusta.) Oh! (Corre até a mãe, sem voz, e torna à janela.) Mamãe, olha lá. Iiiiiih... Estão vindo! (Corre e senta-se no colo da mãe.) Mamãe, mamãe, acode!! Eles estão vindo... vindo do mar... e subindo a praia.

(Fragmento da peça teatral “Pluft, o fantasminha” de Maria Clara Machado)
(*Obs.: este trecho selecionado teve suas partes numeradas para facilitar a aplicação e resolução de atividades desenvolvidas)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Texto sobre Capoeira, Obaluaê e Maculelê

História da capoeira começa no século XVI, na época em que o Brasil era colônia de Portugal. A mão-de-obra escrava africana foi muito utilizada no Brasil, principalmente nos engenhos (fazendas produtoras de açúcar) do nordeste brasileiro. Muitos destes escravos vinham da região de Angola, também colônia portuguesa. Os angolanos, na África, faziam muitas danças ao som de músicas. Ao chegarem ao Brasil, os africanos perceberam a necessidade de desenvolver formas de proteção contra a violência e repressão dos colonizadores brasileiros. Eram constantemente alvos de práticas violentas e castigos dos senhores de engenho. Quando fugiam das fazendas, eram perseguidos pelos capitães-do-mato, que tinham uma maneira de captura muito violenta.
Os senhores de engenho proibiam os escravos de praticar qualquer tipo de luta. Logo, os escravos utilizaram o ritmo e os movimentos de suas danças africanas, adaptando a um tipo de luta. Surgia assim a capoeira, uma arte marcial disfarçada de dança. Foi um instrumento importante da resistência cultural e física dos escravos brasileiros.A prática da capoeira ocorria em terreiros próximos às senzalas (galpões que serviam de dormitório para os escravos) e tinha como funções principais à manutenção da cultura, o alívio do estresse do trabalho e a manutenção da saúde física. Muitas vezes, as lutas ocorriam em campos com pequenos arbustos, chamados na época de capoeira ou capoeirão.

Obaluaê:

Na Religião do Candomblé, Obaluaê é uma flexão dos termos: Oba (rei) – Oluwô (senhor) – Ayiê (terra), ou seja, “Rei, senhor da Terra”. Omulu também é uma flexão dos termos: Omo (filho) – Oluwô (senhor), que quer dizer “ Filho e Senhor”. Obaluaê, o mais moço, é o guerreiro, caçador, lutador. Omulu o mais velho, é o sábio, o feiticeiro, guardião. Porém, ambos têm a mesma regência e influência. No cotidiano significam a mesma coisa, têm a mesma ligação e são considerados a mesa força da natureza.Obaluaê (ou Omulu) é o Sol, a quentura e o calor do astro rei. É o Senhor das pestes, das moléstias contagiosas, ou não. É o rei da Terra, do interior da Terra, e é o Orixá que cobre o rosto com o Filá (de palha – da - Costa), porque para os humanos é proibido ver seu rosto, pela deformação feita pela doença, e pelo respeito que devemos a este poderosíssimo Orixá. Acreditam que Obaluaê está no organismo, no funcionamento do organismo. Na dor que sentimos pelo mal funcionamento dos órgãos, ou por uma queda, corte ou queimadura.Dizem que, Obaluaê rege a saúde, os órgãos e o funcionamento destes. A ele devemos nossa saúde e é comum, nas Casas de Santos, se realizar os Eboris de Saúde, que fazem pra trazer saúde para o corpo doente.

Maculelê:

Maculelê é um tipo de dança folclórica brasileira de origem afro-brasileira e indígena.

O maculelê em sua origem era uma arte marcial armada, mas atualmente é uma forma de dança que simula uma luta tribal usando como arma dois bastões, chamados de grimas (esgrimas), com os quais os participantes desferem e aparam golpes no ritmo da música. Num grau maior de dificuldade e ousadia, pode-se dançar com facões em lugar de bastões, o que dá um bonito efeito visual pelas faíscas que saem após cada golpe. Esta dança é muito associada a outras manifestações culturais brasileiras como a Capoeira e o frevo.